Pedra do Ingá – O que significa? Saiba como usar

A Pedra do Ingá é um granito que mede 24m de comprimento e 3,8m de altura e tem em suas superfícies diversos registros milenares de arte rupestre. Localizado na cidade de Ingá (Paraíba), em 1944 a pedra foi reconhecida como patrimônio histórico nacional pelo atual IPHAN, se consolidando como o primeiro sítio arqueológico brasileiro. A Pedra do Ingá também é denominada de Itacoatiara, que vem da língua tupi: itá, significa pedra e kûatiara significa riscada ou pintada.

Localizada a 100 km da capital da Paraíba, João Pessoa e às margens do Rio Bacamarte, o local é de grande visitação turística, tanto por sua importância histórica, como pela energia que a grande pedra concentra.

Inclusive, de acordo com alguns pesquisadores, como Ariano Suassuna, pernambucano criador do movimento cultural Armorial, a Pedra Itacoatiara trata-se de um altar construído por povos indígenas. O que fica nítido pelos símbolos religiosos e astrológicos que foram desenhados e moldados nas paredes.

Os significados dos símbolos gravados na Pedra do Ingá são amplos. Do ponto de vista arqueológico, a discussão é diversa e não há consenso, mas sim teorias, como a de Suassuna.

Já do ponto de vista popular, as teorias vão de interferência e comunicação alienígena à lenda do semideus Sumé, que teria firmado ali um tratado cosmogônico.

Outra suposição de leitura é a de que a Pedra Itacoatiara é um calendário usado pela população originária da região.

Essa teoria é estruturada pelo fato do painel ter 114 pontos capsulares que multiplicado por 3 resulta no total de 342, um número bastante próximo aos 365 que compõem o calendário que conhecemos. Além disso, as representações gráficas em alguns pontos lembram estrelas e planetas, o que pode indicar uma relação com a astrologia.

Os símbolos da pedra do Ingá

Pedra do IngáOs desenhos, símbolos e signos que foram esculpidos e desenhados nas pedras lembram figuras da fauna, da flora e também contam com certa recorrência de elementos humanoides. É possível observar movimento de águas, contornos curvilíneos e também movimentos que se assemelham com o vento.

Dentre silhuetas mais específicas e desenhos mais orgânicos, é possível fazer diferentes leituras e também procurar por significados que pertençam ao seu olhar.

A arte rupestre é a manifestação artística mais antiga que conhecemos e, devido ao seu distanciamento histórico, muito já foi estudado sobre a sua prática, como também, o acesso a algumas informações é dificultado pelo distanciamento histórico.

A ampliação de significados que não podem ser comprovados é bastante rico do ponto de vista interpretativo, visto que é possível aplicar diferentes lentes para fazer a leitura dessas inscrições milenares.

Alguns artistas já se inspiraram nos símbolos da Pedra do Ingá para realizar trabalhos artísticos, como é o caso do álbum “Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol”, de Zé Ramalho e Lula Côrtes. Este foi um CD que marcou a história da música brasileira, tanto por ser precursor na psicodelia brasileira, quanto por uma história enigmática que carrega.

Quando o álbum já estava pronto, dos 1300 exemplares, 1000 foram perdidos em uma enchente que aconteceu na gravadora Rozenblit. O disco foi gravado no Estúdio Rozemblit, em Recife, no ano de 1975. No ano de 2019 a gravadora Polysom relançou o icônico disco.

Dos 1300 exemplares do vinil, 1000 foram perdidos em uma enchente em Recife. As poucas cópias originais do álbum que foram preservadas podem valer hoje mais de 10.000 reais. A capa do disco psicodélico trazia os artistas se olhando contra uma parte da parede da Pedra do Ingá.

Como acessar o Sítio Arqueológico Pedra do Ingá

Para visitar a Pedra do Ingá basta ir até a região urbana de Ingá e percorrer cerca de 5 km até o Sítio Arqueológico da Pedra do Ingá. O local conta com infraestrutura para visitantes e também com um Museu de História Natural que pode ser visitado.

O Museu foi criado em 1996 e possui fósseis de animais extintos há mais de 10 mil anos. Além disso, o acervo também conta com esqueletos fossilizados de uma baleia e de um molusco, ambos com mais de 100 milhões de anos.

De acordo com o site oficial do sítio arqueológico, o horário de visitação é de terça a sexta, das 9h às 11h30 e das 13h às 16h, nos sábados, domingos e feriados o horário é das 9h às 13h.

A entrada é gratuita e a visitação dura cerca de 2h. É possível chegar ao sítio tanto de carro, como de ônibus, com saídas da Rodoviária de Campina Grande e do terminal de João Pessoa.

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